Montana, EUA

Parque Nacional Glacier: A Coroa do Continente

Estabelecido 11 de maio de 1910
Área 1.583 milhas quadradas

O Parque Nacional Glacier é um lugar de beleza bruta e desenfreada. Localizado no noroeste de Montana, na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, é frequentemente chamado de “Coroa do Continente”. Esta reserva natural de 1,5 milhões de acres é uma terra de lagos alpinos azul-turquesa, vales secretos e picos recortados que foram esculpidos por massivos rios de gelo ao longo de milénios. É um dos poucos locais nos Estados Unidos continentais onde o espírito do velho Oeste — selvagem, robusto e intransigente — ainda prospera na sua forma mais pura.

Esculpido pelo Gelo: A História Geológica

A paisagem do Glacier é um registo dramático da história geológica da Terra. As montanhas aqui fazem parte do Lewis Overthrust, uma falha maciça de 480 quilómetros de comprimento onde rocha mais antiga foi empurrada para cima e sobre rocha mais jovem há cerca de 170 milhões de anos.

O Poder da Glaciação

Embora as montanhas tenham sido construídas por forças tectónicas, foram moldadas pelo gelo. Durante a Época Pleistocena, glaciares com mais de 1,6 km de espessura cobriram toda esta região. À medida que se moviam, estes corpos massivos de gelo agiam como lixas gigantes, moendo vales profundos em forma de U, esculpindo picos afiados (como o icónico Triple Divide Peak) e deixando para trás “vales suspensos” onde quedas de água agora mergulham centenas de metros.

Gigantes em Recuo: Os Glaciares Modernos

In 1850, a área agora conhecida como Parque Nacional Glacier tinha aproximadamente 150 glaciares. Hoje, restam menos de 25 glaciares ativos. Devido às alterações climáticas, os cientistas estimam que os glaciares que dão nome ao parque poderão desaparecer inteiramente até meados do século XXI. Isto torna a visita ao Glacier num testemunho pungente de um planeta em mudança.

A Going-to-the-Sun Road: Uma Maravilha de Engenharia

Uma das formas mais impressionantes de experienciar o parque é através da Going-to-the-Sun Road. Esta obra-prima de engenharia com 80 quilómetros de comprimento atravessa a largura do parque, cruzando a Divisória Continental em Logan Pass (2.025 metros). Concluída em 1932, a estrada foi concebida para se fundir na paisagem, com paredes de pedra e túneis que oferecem vistas de tirar o fôlego sobre os vales abaixo. É considerada uma das rotas mais cénicas do mundo, embora as suas vias estreitas e precipícios íngremes não sejam para os que têm vertigens.

Um Santuário para a Megafauna

O Glacier é um dos últimos locais nos Estados Unidos onde a gama completa de predadores e presas nativos ainda existe num ecossistema quase intacto.

  • Ursos Pardos (Grizzlies): O Glacier tem uma das densidades mais elevadas de ursos pardos nos Estados Unidos continentais. Ver um destes poderosos animais no seu habitat natural é uma experiência inesquecível, embora potencialmente perigosa.
  • Cabras Montesas: O símbolo oficial do parque, as cabras montesas, são frequentemente vistas em Logan Pass, onde navegam as falésias escarpadas com facilidade.
  • Carneiro Selvagem: Frequentemente avistados nos prados alpinos, estes carneiros são conhecidos pelos seus impressionantes chifres curvos.
  • Lobos Cinzentos e Pumas: Estes predadores esquivos percorrem os cantos remotos do parque, mantendo o equilíbrio delicado da natureza selvagem.

O Coração Azul-Turquesa: Lagos e Vias Navegáveis

O parque abriga mais de 700 lagos, embora apenas 131 tenham nome. A sua impressionante cor azul-turquesa resulta da “farinha de glaciar” — sedimento fino de rocha suspenso na água que reflete o espetro de luz azul-esverdeada.

Lago McDonald e Lago St. Mary

O Lago McDonald é o maior lago do parque, conhecido pela sua água cristalina e pelas coloridas “pedras arco-íris” que revestem as suas margens. Na extremidade oposta da Going-to-the-Sun Road encontra-se o Lago St. Mary, lar da famosa Wild Goose Island, um pequeno tufo de terra contra um pano de fundo de picos imponentes que se tornou um símbolo icónico do parque.

Quedas de Água: As Lágrimas das Montanhas

Alimentadas pelo degelo da neve e glaciares, centenas de cascatas decoram as falésias do parque. As Bird Woman Falls e a Weeping Wall estão entre as mais famosas, especialmente no início do verão, quando o degelo está no seu pico.

Um Cruzamento de Culturas

A área do Parque Nacional Glacier tem um profundo significado espiritual e cultural para os povos indígenas.

  • A Nação Blackfeet: O lado leste do parque é a terra tradicional do povo Blackfeet, que considera as montanhas (a “Espinha Dorsal do Mundo”) como sagradas.
  • Os Flathead e Kootenai: A oeste, as tribos Flathead e Kootenai viveram nos vales, seguindo padrões sazonais de caça e recoleção.
  • Turismo e a Great Northern Railway: No início do século XX, a Great Northern Railway promoveu o Glacier como os “Alpes Americanos”, construindo grandes hotéis como o Many Glacier Hotel para atrair turistas ricos.

Planeando a Sua Aventura no Glacier

O Glacier é um destino de natureza selvagem que requer preparação e respeito pela natureza.

  • Reservas de Veículos: Grande parte do parque, incluindo a Going-to-the-Sun Road, requer reservas de veículos durante os meses de verão. Consulte o site do NPS com antecedência.
  • Segurança contra Ursos: Este é país de ursos pardos. Caminhe em grupos, faça barulho e leve sempre spray para ursos num local acessível.
  • Acesso Sazonal: Devido à neve intensa, a Going-to-the-Sun Road costuma estar totalmente aberta apenas desde o início de julho até ao final de setembro.
  • A Área de Many Glacier: Frequentemente chamada o coração do parque, esta zona oferece algumas das melhores oportunidades para caminhadas e observação de vida selvagem.

Preservando a Coroa

À medida que o Glacier enfrenta os desafios de um clima em aquecimento e de um número crescente de visitantes, os esforços de conservação focam-se em manter a integridade ecológica do parque. Ao praticar o princípio “Não Deixe Rastro” e apoiar o turismo sustentável, ajudamos a proteger esta joia da coroa da natureza selvagem americana para que os seus glaciares, por mais fugazes que sejam, e o seu espírito selvagem perdurem.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando é que a Going-to-the-Sun Road abre?

A estrada abre tipicamente no final de junho ou início de julho e fecha em meados de outubro. As datas exatas variam todos os anos com base no degelo e na manutenção da estrada.

Ainda existem glaciares no parque?

Sim, existem atualmente 26 glaciares nomeados restantes. No entanto, estão a diminuir rapidamente.

Como posso ver um urso pardo com segurança?

A melhor forma de ver um urso é à distância, usando binóculos ou um telescópio. Se encontrar um urso num trilho, mantenha a calma, fale com voz firme e recue calmamente. Nunca corra.

O que são os passeios de “Autocarro Vermelho”?

Os “Red Jammers” são autocarros vintage da década de 1930 que oferecem visitas guiadas ao parque. São uma forma icónica e relaxante de ver os locais sem ter de conduzir nas estradas estreitas.

Posso caminhar até um glaciar?

Sim, vários trilhos levam a glaciares, como o trilho do Glaciar Grinnell. Estas são frequentemente caminhadas extenuantes de alta altitude, mas oferecem vistas incríveis de perto do gelo e dos lagos glaciares.